segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Marcelo – a graça e a desgraça!


Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu arrastar por 12 meses o estado de graça pós eleitoral. Apareceu em todo o lado, beijou meio mundo e falou, falou, falou! Na entrevista de ontem, assumiu-se como porta voz dos poderes políticos, uma espécie de presidente-sol que não é, com poderes que manifestamente não tem.

Para António Costa, este é, até ao momento, o melhor presidente que poderia ambicionar. Quando a oposição marca posição, Marcelo vem a público fazer de escudo protector, quando os governantes cometem erros e gaffes, Marcelo responde à comunicação social e conforta o Governo, quando os números aparecem, Marcelo apressa-se a gabá-los e a justificar o que não está bem!

A presidência de Marcelo está a ser aquilo que se previa! O melhor amigo de António Costa, o pior Presidente da República para o partido que o ajudou a eleger.

A entrevista de ontem mostrou um Marcelo que nunca deixou de ser comentador mas com vontade de tocar todos os instrumentos da orquestra e ainda fazer de maestro de si próprio. Em Portugal o Presidente não governa mas Marcelo arrisca ficar aprisionado pelo cálculo político de António Costa que deixa o Presidente pensar que tem poderes que não tem, mostrar-se quando não deve e, mais tarde (e nessa parte Marcelo ainda não percebeu), sofrer as consequências do que não correr bem!

Marcelo quis ser ele próprio e fez bem! Mas não pode ser o comentador de tudo e presidente do nada nem o porta voz das políticas do Governo! Poder até pode, mas isso vai-lhe sair muito caro, enquanto o Governo agradece aos céus a convivência com alguém que dá uma face para qualquer graça sem perceber que irá ter de dar a outra para a desgraça!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A minha democracia é melhor do que a tua


A vitória de Trump nas recentes eleições americanas, veio retomar a discussão sobre os regimes políticos, sobre a mensagem política e sobre as estratégias de sedução social utilizadas pelos partidos e seus líderes. Faz sentido haver colégio eleitoral ou todos os votos deviam ter o mesmo valor optando por uma eleição totalmente directa? Os eleitores votam em função da mensagem que os candidatos transmitem ou votam por emoções? Qual o valor de informações colaterais (positivas ou negativas) podem ter na escolha do eleito?

Estas perguntas não são usuais após todas as eleições. Elas apenas surgem porque as elites parecem ter sido surpreendidas pelo resultado eleitoral. E esse é um dos problemas da democracia. Se a democracia corresponde às nossas ambições, é um regime político espectacular. Se, pelo contrário, o voto da maioria é diferente do nosso, então, vamos apressar-nos a equacionar o regime político e a reestruturar o sistema político.

A democracia clássica era o governo do povo, onde a maioria escolhia os líderes. Mas a democracia contemporânea, à luz das elites devia ser uma espécie de oligarquia, ou então uma democracia das boas ideias, sendo estas uma escolha dos mais letrados, dos mais viajados ou dos mais mediáticos.


É interessante divagar sobre estes temas porque não sabemos o que vai ser da democracia daqui a 50 anos. Com a evolução tecnológica e a revolução das redes sociais, o mundo está a evoluir mais depressa do que evoluem os conceitos clássicos. Se não pensarmos sobre estes temas, arriscamos-nos a ser vencidos por uma determinada corrente de opinião dos pseudoletrados. 

A vitória de Trump pode ter múltiplas interpretações mas aquilo que sobressai é a forma como um discurso errático, anti-sistema e protecionista conseguiu seduzir milhões de eleitores seja como voto de protesto ou voto de paixão. Como todas as escolhas, a opção eleitoral decorre do passado, do contexto do presente e das expectativas para o futuro. Se Trump deu mais garantias dessas vertentes do que Hilary, é preferível que as elites reflictam sobre os motivos do que especulem sobre as consequências! Criticar Trump é atacar os milhões de eleitores mas não mergulhar nas causas é potenciar novos Trumps e, principalmente, não dinamizar alternativas sólidas e credíveis às Hillarys espalhadas pelo mundo. E, convenhamos, Trump só ganhou porque a alternativa “não era grande espingarda”!

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Os próximos 10 anos do Alto Alentejo


Quando se atinge uma marca como esta, 10 anos de existência, tendemos a ser revivalistas, olhar para o passado e lembrarmo-nos onde estávamos, o que fizemos, como evoluiu a sociedade, os amigos que perdemos e aqueles que conhecemos. Mas 10 anos são apenas uma etapa de um percurso que se deseja longo e bem sucedido.

Como muitos aproveitarão esta edição especial para falar do passado, eu escolho olhar para o futuro.
Nos próximos 10 anos o Alto Alentejo (refiro-me à região), terá vários desafios:
1- desenvolvimento económico;
2- atracção de população residente;
3- comunicação;

No primeiro ponto, refiro-me ao desenvolvimento económico assente na atração de investimento externo e ao investimento dos alentejanos na sua região. A economia vive não só dos grandes projectos mas também dos pequenos negócios de todos os sectores, que empregam pessoas, oferecem serviços e respondem a necessidades das populações.

No segundo item, considero que uma região que não atrai pessoas está condenada ao definhamento. As pessoas mudam de residência por causa dos empregos, da família e das condições que essa nova terra tem para oferecer (escolas, saúde, actividades sociais, segurança, projecto de vida). Se os municipios não apostarem nos factores que atraem residentes, o Alentejo continuará a perder população e a comprometer a sustentabilidade do seu futuro.

Em terceiro lugar, a comunicação é absolutamente fundamental para o sucesso da região. Não conheço região onde se coma melhor, que tenha melhor vinho e melhor água, onde o ar puro seja tão puro e onde se receba melhor quem vem de fora. Mas se não houver um plano de comunicação intermunicipal devidamente coordenado e integrado, vamos continuar a ter cada concelho a puxar a braza à sua sardinha e estaremos a perder sinergias que poderiam atrair mais visitantes, mais residentes e mais investimentos.

Com a actual situação do país em termos economico-financeiros, não se prevêem grandes obras públicas, não se perspectivam apostas no desenvolvimento regional e não haverá muita preocupação em dedicar atenção a uma região que elege poucos deputados. Assim, nos próximos 10 anos, terão de ser os alentejanos a puxar pelo Alentejo! E isso sabemos nós fazer muito bem!
Parabéns ao Jornal Alto Alentejo e daqui a 10 anos cá estaremos, assim o espero, para ver o que aconteceu!


Artigo publicado na edição especial comemorativa do 10º aniversário do Jornal Alto Alentejo, em 02/11/2016

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Tempo a mais no avião: o Orçamento de Estado ( OE 2017 )

Tempo a mais no avião: o Orçamento de Estado ( OE 2017 )

A ler o semanário Expresso no avião até Zurique fez-me pensar que, tal como eu, a maioria não sabe distinguir a direita da esquerda. Ideologias à parte, para os que não sabem não sei efectivamente distinguir a direita da esquerda...

O nosso ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou que este era um Orçamento de esquerda. Parece-me que o avaliou ao contrário. 
Com a informação que tenho disponível, este é um Orçamento de direita e, creio profundamente, que a própria direita não teria coragem de fazer. 

E sabendo que o OE para 2016 falhou, porque perdi tempo a analisar o orçamento para 2017? 

Porquê? 
Porque a estratégia é a mesma: reduzir ligeiramente os impostos directos ao mesmo tempo que se aumentam os indirectos. O rendimento disponível será maior, mas serve para menos. Podemos chamar-lhe o que quisermos, mas não passa de ilusão.

No final de contas, o Governo não só assume o enorme aumento de impostos de Vítor Gaspar, que não reverteu, como cria outros, como o 'fat tax' e novos impostos sobre o imobiliário. 

A necessidade urgente e constante de receita ( não reduzindo a despesa, como sempre ) vai levar o Estado a punir os que poupam e os que, em liberdade, decidem o que comer e beber, se fazem ou não desporto e que cuidados têm com a sua saúde.

Sem surpresa, o OE 2017 caracteriza-se por aumento da carga fiscal e maior presença do Estado na economia, justificados algures entre a ideologia e a necessidade de arrecadar mais impostos. 

1.
A primeira constatação é que os compromissos que o Governo assumiu com os seus parceiros à Esquerda, em grandes temáticas como a reversão dos cortes salariais, obrigaram a um aumento da tributação indirecta, parece que dói menos mas está lá, e à criação de um novo imposto sobre o património que dói logo à partida. 

2.
A segunda constatação e minha preocupação é que Portugal só conseguirá voltar a crescer de forma real e sustentada se apostar verdadeiramente nas exportações e se conseguir estruturalmente captar investimento.

3.
A terceira constatação é a estratégia do Governo para limpar numa solução de mercado que permita a venda de carteiras de crédito malparado dos bancos a investidores internacionais, sem um desconto excessivamente elevado, e sem colocar as empresas portuguesas devedoras nas mãos de fundos gananciosos - que medo!; por outro lado, o OE2017 prevê a criação de instrumentos para facilitar a recapitalização das empresas.

Vejamos algumas medidas tipicamente de esquerda, no caso do fim do imposto de selo para casas acima de um milhão de euros. Na prática quem tiver uma casa com um valor superior aquele montante acaba por sair muito beneficiado, pois desce de 1% para 0,3%, ou seja, num cenário de 10 mil euros, passa para 3 mil euros. Uma prenda bem bonita a quem faz falta o dinheiro... e o Natal está à porta. 

Outra pergunta quase de Trivia, e que vale outro milhão de euros, é perceber como é que o Bloco e o PCP fazem um Orçamento em que os beneficiários são os agregados de maiores rendimentos. Agora já a caminho de um queijinho vermelho, e sobre a sobretaxa? É fácil concluir que o seu fim beneficia os cidadãos de maiores rendimentos. Basta pensar naquele pobre gestor que tem um rendimento bruto anual de meio milhão de euros (e não são assim tão poucos) que tinha uma sobretaxa de 3,5% e já sabe que em novembro do próximo ano ficará liberto dessa obrigação. E adiantamos que ainda bem porque fica com mais uns trocos que, concerteza, lhe fazem falta... e o Natal está à porta. 

E para finalizar, que é feito da reforma do IRC? O orçamento ignora este e outros temas.

Costa mantém uma meta ambiciosa para o défice do próximo ano: 1,6% do PIB. O objetivo é agradar a Bruxelas mesmo que ninguém acredite no feito. Cá estaremos para ver! 

domingo, 18 de setembro de 2016

Pouco conteúdo e muita forma! Muito sensionalismo, interesse nulo!

O que fica da política dos últimos tempos é a "narrativa" (José Socrates) o "desvio colossal" (Vitor Gaspar), a "geringonça" (Paulo Portas), os "pafiosos" (claque do PS, PCP e BE), os "caçadores de diabos e pokemons "(António Costa), a "lavandaria do Governo" (João Almeida)…
Nisto a que chamam de política escasseiam as propostas e o debate construtivo e excedem-se os pregões, muito úteis para rodapés de noticiários mas completamente dispensáveis para a vida dos portugueses. O nível actual da política compete com a linguagem de reality shows televisivos. Pouco conteúdo e muita forma! Muito sensionalismo, interesse nulo!
Mas, se realmente tem assim tão pouco interesse, porque motivo continuam os políticos nesta cruzada de definhamento da classe? Porque não elevam o nível do debate para o campo das propostas, dos projectos, dos argumentos?


Alguns não o farão por manifesta incapacidade mas outros estarão apenas reféns da cultura política. Após anos e anos de debates vazios, acusações múltiplas e desconstruções de argumentos através da critica infundada ou através de falsidades grosseiras mas mediaticamente apelativas, é natural que os políticos prefiram o sucesso imediato ( entenda-se aparecer no primeiro noticiário do dia) do que o eventual sucesso futuro de que dependem tantos factores como as amizades dentro do partido, o apoio dos seus pares, o voto do povo e tantos outros.

Resumindo, a política da filosofia deu lugar à política de brejeirice e do insulto. E como tenho a ideia que no fim do dia são todos amigos e vão à bola juntos (pagos por um qualquer grupo de interesse), parece-me haver uma notável falta de carácter na política. E ainda se pergunta porque não atrai a política mais e melhores pessoas…como se alguém não soubesse os motivos e como se os "carreiristas políticos" tivessem interesse em ter mais e melhores pessoas na política!

quinta-feira, 17 de março de 2016

O estrangeirismo


Língua de Camões foi Português
Pessoa, Régio e Saramago
Agora tudo fala em inglês
Que país tão pouco amado!

Fala-se inglês ou alemão
Espanhol, francês ou brasileiro
Falam os governantes com emoção
Quando vão para o estrangeiro!

Raios parta o estrangeirismo
Onde está o orgulho nacional?
Parecemos perto do abismo
Neste mundo irracional!

O Português deixou de ser chique
No Porto, em Lisboa e em Cascais
Falar inglês é um tique
De um bando de anormais! 



quarta-feira, 9 de março de 2016

Cavaco, justiça ao seu nome


Cavaco Silva consegue no fim da sua carreira política um amplo e raro consenso de opiniões bastante críticas face à sua actuação como Presidente da República. Mas, se Cavaco é um alvo fácil a abater por parte de diversas áreas políticas, importa fazer justiça à figura de Cavaco Silva, o homem que nos últimos 30 anos mudou a política portuguesa e liderou o país em diversas frentes.
A verdade é que Cavaco me levou a gostar de economia e de política. Para quem, como eu, nascido na década de oitenta, começou a olhar para o país nos governos PSD de maioria absoluta, Cavaco foi um político diferente dos restantes. Soube aproveitar os financiamentos europeus, fez frente a um Presidente da República hostil, conseguia surpreender nas remodelações governamentais, tinha a sua própria agenda (o que irritou muitos jornalistas) e fez escolhas, muitas escolhas que alteraram o rumo do país. Cavaco decidia, falava quando bem entendia, fazia silêncio quando escolhia e apaixonava o eleitorado do centro-direita. Empolgava nas campanhas eleitorais e marcava a diferença para um Portugal que se queria a evoluir para lá dos fantasmas da ditadura mas também para além das brumas do tão aclamado “25 de Abril sempre!”

Visita do Primeiro Ministro Cavaco Silva a Marvão. (descubra o autor deste artigo na foto)

Cavaco não foi apenas um economista que um dia virou político. Cavaco Silva conseguiu evoluir de economista conservador para político convicto das suas decisões. A solidez do seu discurso convencia os parceiros europeus e os seus conhecimentos técnicos arrumaram no esquecimento muitos candidatos a políticos da oposição.
Ninguém sabe como seria hoje o país se não tivesse havido Cavaco. Ninguém pode afirmar que outro político teria feito mais e melhor. Nos anos 80 Portugal estava ainda mais periférico do que hoje e o país que eu conheço evoluiu com o político que o governou. Cavaco deixou um legado que não deixa ninguém indiferente. Para uns foi o causador do excessivo número de funcionários públicos e do crescente endividamento, para outros levou ao desenvolvimento do país e dos seus habitantes.
O Cavaco que eu me vou recordar não será o Presidente da República esvaziado de competências e repleto de contenções. A defesa do superior interesse nacional tão apregoada discurso atrás de discurso poderia,…..deveria ter tido mais presença, mais acção, maior intervenção.
Cavaco Silva mostrou que um mesmo homem pode ser bom político em funções executivas e mediano como bibelot. Claro que a idade, o cansaço ou mesmo a doença podem ter a sua quota-parte de responsabilidade mas tudo tem o seu tempo.
Sou daqueles que não tendo votado em Cavaco no seu último mandato, o elogiam como político, como primeiro-ministro e como o responsável por uma corrente ideológica-politica que marcou o pais: o Cavaquismo.
Cavaco Silva teve uma carreira política longa. Fez amigos e principalmente muitos inimigos. Fez coisas que o orgulham, outras que seguramente teria feito diferente. Cavaco Silva termina hoje um ciclo político e deixa muitos adversários em todos os quadrantes. Mas desconfio que isso pouco importará a Cavaco. Se o seu objectivo enquanto primeiro-ministro foi deixar obra, como Presidente da República procurou ser a sua antítese e consolidar a estabilidade das instituições.
Cavaco Silva ficará na história do país e deixa um profundo legado político. Ficará também na memória de muitos portugueses que acompanharam a sua trajectória, as suas posições e as suas decisões. Ficará também na minha memória como personalidade que influenciou indirectamente e sem nunca o saber, algumas das minhas escolhas. Quero acreditar que não serei o único português a valorizar o seu legado político e económico.
Neste dia que termina as suas funções, faça-se justiça ao homem, ao economista, ao político!
Em suma, faça-se justiça ao seu nome!

sábado, 5 de março de 2016

O sangue que faz rolar as empresas


Poderia o gestor menos experiente pensar que os principais problemas das empresas resultam do excesso de burocracia ou mesmo da teia legislativa que as envolvem, dos recursos humanos ou da gestão de stocks. No entanto, um gestor mais experiente opinará que as maiores dificuldades resultam da gestão da tesouraria. A décalage entre as vendas e os recebimentos ou mesmo entre os recebimentos dos clientes e os pagamentos aos fornecedores são das maiores preocupações das empresas e dos empresários.
Uma empresa pode ter muitas vendas mas se tiver atrasos nas cobranças, isso é um grave problema e uma ameaça para o seu futuro próximo. O mesmo acontece se a data de pagamento aos fornecedores estiver negociada para prazos muito curtos que potenciem a existência de defaults pelos atrasos nas cobranças aos seus clientes.
Na prática, a actividade corrente é o sangue da empresa. Se o sangue não flui, se há gorduras acumuladas que impedem a tesouraria de funcionar, é a própria empresa que está em risco.
É fundamental que os gestores empresariais antecipem os problemas e disponham de instrumentos de apoio especializado à tesouraria, como são o exemplo do factoring e do confirming. A possibilidade de adaptação destes produtos à especificidade das empresas torna-os extraordinários aliados para o sucesso da actividade empresarial, evitando problemas futuros que poderiam ameaçar a sustentabilidade de negócios que podem ser rentáveis mas não evoluem por erros de estratégia financeira.
A típica conta corrente caucionada, o desconto de livranças ou mesmo a alavancagem por via de operações de médio prazo podem ter a sua utilidade mas são ferramentas pouco dinâmicas e, na maioria das situações, mais dispendiosas do que o factoring ou o confirming.
O crescente recurso a instrumentos especializados de pagamentos e cobranças poderá ainda ter uma função didáctica, incentivando um maior respeito pelo cumprimento de prazos e pela assunção de responsabilidades de crédito. Claro que o recurso a créditos, sejam eles quais forem, deve ser efectuado de forma cautelosa, com conta, peso e medida.
O factoring e o confirming são os melhores amigos do gestor empresarial. Mas a mais valia destes produtos financeiros especializados é a sua efectiva componente de parceria estratégica entre entidades empresariais e instituições financeiras, com melhoria de risco e eficiência na gestão diária de tesouraria.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Por um campeonato de comentadores políticos

Estamos perante um pico de comentários políticos motivado pela guerra acesa entre apoiantes do governo / apoiantes do ex-governo. A quantidade de artigos, muitos de qualidade duvidosa, e informação desfasada da realidade demonstra que a inflamação dos agentes políticos (não necessariamente partidários) está ao rubro com acusações, trocas de motivações, agitação de galhardetes e demonstração de pins na lapela que suscitem alguma nomeação no curto prazo.

Cada vez mais importa separar o trigo do joio, ou seja, separar os comentários isentos, construtivos e justos, dos apoiantes políticos disfarçados de comentadores credenciados e sabedores de todo e qualquer ofício.
Deveria haver até campeonatos distintos para os comentadores. Numa primeira divisão teríamos apenas meia dúzia de comentadores com os quais se aprende alguma coisa e que demonstram isenção da sua análise (o que não quer dizer que tenham de ser politicamente isentos). Numa segunda divisão estariam aqueles que pretendem ser isentos mas têm pouco conhecimento técnico, o que os leva a cometer ocasionalmente gaffes ou erros de palmatória.
Numa terceira divisão entrariam as claques partidárias. Toda a opinião partidária em forma de comentário seria aqui segmentada. Os adeptos da contra política não deveriam sequer ter espaço nos comentários políticos. Para estes artistas do disparate deveriam ser criados espaços de opinião partidária ou mesmo de novela política mas não de comentários políticos.

A existência de muitas classes de comentadores misturadas, leva a que o cidadão mais atento à causa pública (mas não o suficiente para separar comentadores e artistas de circo) seja frequentemente confundido com dados e estatísticas, métricas e percentagens, decisões e vontades que se vêm a revelar falaciosas mas que contribuem para o ruído que impossibilita a discussão dos argumentos e a saudável troca de posições construtivas.

O comentário político tem real importância por ser uma forma das "elites políticas" esgrimirem opiniões, posições e desejos, dando-os a conhecer à opinião pública interessada. Mas quando sofre mutações para fóruns de guerrilha partidária, mecanismos de desinformação, criação de ruído e insultos gratuitos, não serve para rigorosamente nada e deveria ser remetido ao seu devido lugar: ao LIXO!
Mas enquanto não existem campeonatos de comentadores, por vezes a opção mais eficiente é fechar a televisão, não comprar jornal, não ligar qualquer rede social e ignorar a rádio. A não informação pode ser melhor que a má informação!


PS: o presente autor não pretende entrar em qualquer desses campeonatos, remetendo-se ao amadorismo do comentário político, ou seja, aos campeonatos distritais!


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A roleta tuga de Rebelo de Sousa

O candidato Marcelo Rebelo de Sousa iniciou a sua caminhada eleitoral com a seguinte filosofia:

Sou líder incontestado nas sondagens, os votos da esquerda estão fragmentados, todos os portugueses conhecem o meu percurso, as minhas críticas da esquerda à direita e o meu nome no boletim consegue responder (melhor do que qualquer pessoa) a toda e qualquer campanha que façam contra mim.

Esta filosofia política representa um risco significativo para o candidato que provavelmente o próprio não está a considerar.

Vejamos, Marcelo está a fazer campanha eleitoral sem comícios, sem bandeiras, brindes ou música pelas ruas. Marcelo considera que ele é a sua melhor ferramenta da campanha. Não necessita de jotas, de boys nem de barões. Marcelo prescindiu do pimba e faz uma campanha para as pessoas que encontra, com (poucos) militantes (pouco) descaracterizados e sem a onda humana característica dos vencedores incontestados.

Sendo um homem da comunicação, Marcelo deveria saber que as imagens vendem. Ter uma campanha sem outdoors, sem cor e sem barulho é carregar um candidato com pouco brilho e com excesso de confiança.
Marcelo não percebeu ou não lhe explicaram que o exercício presidencial nasce da vontade do candidato mas tem de ser previamente suportado por uma base de forte apoio social que se transforma numa corrente de votos.
O risco de estar em alta nas primeiras sondagens não é apenas o excesso de confiança. Quando se começa em alta tem-se mais probabilidades de ter decréscimos do que ter subidas nas sondagens. E ao contrário do que Marcelo pensa, muitos eleitores decidem em quem votar e decidem mesmo se votam no final da campanha.
Se todos os votos da direita estivessem assegurados, Marcelo seria o próximo Presidente da República sem grandes sobressaltos (facilmente iria buscar alguns votos ao centro e até à esquerda). O que Marcelo ainda não terá percebido é que muitos eleitores do PSD e do CDS não o apoiam, pelas sucessivas críticas que fez ao governo, aos autarcas e a membros destes partidos.
A eleição presidencial não é um dado adquirido e, sobretudo, não se pode esquecer que se trata de um acto político que é influenciado por inúmeras variáveis.

É provável que Marcelo Rebelo de Sousa seja o próximo Presidente da República. Mas antes disso ocorrer é natural também que a sua “não campanha” eleitoral se transforme numa verdadeira campanha política sem receio de apelar aos votos, de mostrar as diferenças, de criticar as propostas dos opositores e de agitar bandeiras em qualquer comício cheio de militantes pseudo-anónimos cheios de vontade de mostrar serviço aos líderes das suas distritais partidárias.

A estratégia de Marcelo Rebelo de Sousa é louvável mas na realidade politica nacional é uma espécie de roleta russa...ou tuga que tem mais riscos do que hipotéticas vantagens.